Resumo Trabalho

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA

Autor(es): LUCIANA MONTES ARRUDA

Em nosso pas, a histria dos povos negros vindos do continente africano foi vastamente documentada por sua condio de escravizada. Na literatura o que predominava era a ideia do negro, em primeira esfera, como mercadoria. No mbito da cultura, os povos africanos foram interpretados como exticos, pois muito do que se quis atribuir a sua beleza necessitava de uma justificativa para fugir dos padres europeus estabelecidos. Ao movimento negro, coube travar inmeras lutas sociais aps a abolio. A ideia criada no perodo colonial de dificultar s populaes afro-brasileiras o direito igualdade ocasionou impactos na vida social, tanto no mercado de trabalho e esfera educativa. Primeiramente pela prpria ideia que os europeus tinham das populaes escravizadas, aliado s condies desfavorveis da poca. Os colonizadores desproviam dos africanos a capacidade de pensar em seu modelo de vida fora da organizao social- poltica, econmica, jurdica e ideolgica. As relaes sociais eram atribudas pela vontade do senhor de escravo, fazendo assim, uma coisificao social, no sentido de que a violncia exercida pelo sistema escravista fosse legitimvel para o bem da colnia. Isso possibilitou fazer com que os negros concebessem a ideia de si mesmos como no humanos, como criaturas inferiores, como coisas, da a denominao teoria do escravo-coisa. Essas concepes persistiram nas relaes seguintes mesmo aps a abolio o que no resultou na incorporao efetiva da populao negra no mercado industrial de trabalho. A presena de termos na forma de esteretipos no cdigo penal colonial permitiu a discriminao e o racismo as populaes libertas. Os indgenas, negros, mestios que conseguissem a liberdade, no ocupavam cargos de confiana ou honra, sob a alegao de no possurem tradio catlica ou ttulos de nobreza. Muitas justificativas qualificadas eram de natureza teolgica e social. Tais elementos perpetuaram-se, operando de forma hierrquica entre brancos e negros, introduzindo assim uma nova ordem social, onde a preferncia dada aos brancos na obteno de emprego em uma sociedade discriminatria. Uma trova popular, ainda comum em Belm do Par, elucida bem a ideia vigente na colnia, ideologia esta que explicita os princpios da igreja catlica, reinantes na sociedade europeia da poca . Branco nasceu para o mando, O negro pra trabalhar. Quando o negro no trabalha, Do branco deve apanhar . Ainda que a educao fosse a nica alternativa contra o sistema estabelecido, esta permaneceu apenas na esfera do desejo, pois as populaes negras estavam submetidas a desvantagens ocupacionais e habitacionais. Luiz Gonalves e Petronilha Silva (2000, p. 135) argumentam que, ainda no perodo colonial: [...] os africanos escravizados estavam impedidos de aprender a ler e escrever, de cursar escolas quando estas existiam, embora a alguns fosse concedido a alto preo, o privilgio, se fossem escravos em fazendas de jesutas. Tais fatores foram determinantes para a manuteno de estratos educacionais mais baixos. Ao longo da histria, esses indicadores impactaram diretamente no incremento da pobreza acentuando a discriminao racial para as populaes negras. Portanto, a situao dos povos afrodescendente explica-se na interseo entre o domnio tnico-racial e a estruturao de uma sociedade de classes. Esse entendimento recente e ganhou destaque nos estudos acadmicos somente aps a segunda metade do sculo XX. A busca por um processo de redemocratizao marca uma mudana significativa no tratamento da questo tnico-racial negra com o ressurgimento de reivindicaes a partir de um movimento negro organizado oriundo dos centros urbanos do pas. Nesse perodo surgiram estudos que questionavam o problema e sua associao entre a escravido e o preconceito como legado histrico. A discriminao como conhecemos hoje responsvel por um contingente significativo de desigualdades entre negros e brancos que resultam tambm em diferenas sociais. Tais elementos surgem como consequncia de processos discriminatrios no s do passado, mas de um fenmeno ativo presente que legitima cotidianamente procedimentos e esteretipos. A permanncia de altos ndices de excluso das populaes negras compromete a evoluo de uma sociedade justa e democrtica. Para promover um modelo de desenvolvimento no qual a diversidade esteja presente nas relaes sociais, faz-se necessrio entender a desigualdade racial no Brasil e suas concepes, analisando assim quais situaes promovem a perpetuao de estigmas discriminatrios. O presente trabalho trata-se de uma atividade de pesquisa realizada com os alunos da escola SESI de Jacarepagu para a Feira Cultural de 2018 a qual abordava a seguinte temtica: MAMA frica: Valorizao da Influncia Africana na Construo da Cultura Brasileira. A ao propunha analisar as origens de expresses que permeiam nosso vocabulrio e que de certo modo promovem a aceitao de prticas preconceituosas de cunho racial.

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