Resumo Trabalho

RESILIENCIA EM PESSOAS COM O DIAGNÓSTICO DE HIV/AIDS: DEPRESSÃO E ANSIEDADE COMO FATORES DE RISCO

FLÁVIO LÚCIO ALMEIDA LIMA, ISABELLE TARARES AMORIM, REGINA LÍGIA WANDERLEI DE AZEVEDO

Introdução: O desenvolvimento da resiliência no contexto do diagnóstico e vivência com o HIV/AIDS pode trazer benefícios no sentido de prevenção às psicopatologias, dentre elas a depressão e transtornos de ansiedade. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a resiliência, depressão e ansiedade em pessoas com o diagnóstico de HIV/AIDS. Método: Trata-se de estudo epidemiológico descritivo e correlacional, de cunho quantitativo e qualitativo. A amostra foi constituída por 556 pessoas soropositivas para o HIV de ambos os sexos, acima de 18 anos atendidas nos serviços de referência à Aids no Estado da Paraíba (Campina Grande e João Pessoa). Os instrumentos utilizados foram: 1) a Escala de Ansiedade e Depressão – HAD; 2) Escala de Resiliência; 3) Entrevista semi-estruturada composta por questões norteadoras e estruturadas de acordo com os objetivos do estudo; e, 4) Questionário sócio-demográfico e clínico. Os dados sócio-demográficos e clínicos foram analisados através de estatística descritiva. Com as escalas, foram realizados testes bivariados para verificação de associações entre as variáveis do estudo. Para as entrevistas, foi utilizada análise categorial temática. Resultados: O perfil sócio demográfico indicou média 6 anos de diagnóstico (DP=4,5), sendo 42% sintomáticos e 82% fazendo uso da Terapia Antiretroviral. O nível de resiliência foi 61 (DP = 6,35; variando de 31 a 79), sendo considerado moderado. A resiliência foi menor quando relacionada à baixa escolaridade (59,6) e a baixa renda (60,4), assim como nas pessoas sintomáticas (60,3). Foi identificada uma prevalência de 34% para ansiedade, 17% para a depressão e 13% para co-morbidade (ansiedade e depressão). A associação destes índices com os dados sociodemográficos apontou para uma associação significativa entre a ansiedade e a religiosidade e a depressão com a auto-avaliação da saúde e auto-percepção enquanto doente. Verificou-se a existência de correlações lineares negativas entre a Resiliencia e os construtos depressão (r= -0,506) e ansiedade (r= -0,377), assim como uma correlação linear positiva com a auto-avaliação da saúde (r=0,329), implicando em que, quanto maior a depressão e a ansiedade, menor a resiliência e, quanto melhor a avaliação da saúde, maior a resiliência. A partir das entrevistas emergiram duas classes temáticas (resiliência e o conviver com o HIV/AIDS), quatro categorias e nove subcategorias. Nesta análise, além da depressão e da ansiedade, o preconceito surgiu como fator de risco e, apoio social e a religiosidade surgiram como fatores de proteção. Considerações Finais: O caráter de cronicidade da AIDS prevê o seguimento dos pacientes em longo prazo acarretando a necessidade de avaliação e acompanhamento dos aspectos psicossociais, tais como as variáveis analisadas no presente estudo. Assim, será possível subsidiar continuamente a estruturação dos serviços para atender a novas demandas médicas e psicossociais que possam surgir no contexto de vida de pessoas soropositivas, visando à integralidade e à melhor qualidade da atenção em saúde.

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