Resumo Trabalho

FABULOSOS CORPOS SOB DISPUTA EM QUEER EYE: O RELANCE DOS RAPAZES ALEGRES E AS INTERFACES DO SEMBLANTE COM O REAL

Autor(es): JOSE EIDER MADEIROS e orientado por HERMANO DE FRANÇA RODRIGUES

Os reality shows se firmam, dentre as diversas produções televisivas da contemporaneidade, como uma mídia que continua se inovando, ao explorar os limites das suas referências sociológicas, narrativas e comunicacionais, ao passo que também recupera modelos de sua breve história enquanto gênero de programa televisivo para usá-los como estratégia de audiência ou como resposta à emergência de alguma temática abordada em suas versões anteriores. Este estudo propõe refletir, junto aos episódios da primeira temporada de Queer Eye (2018), sobre como se organiza o centralismo do olhar lançado aos corpos em cena e em como a retomada da mesma técnica do relance gay para aprimoramento do visual heterossexual, inaugurada em Queer Eye for the Straight Guy (2003-2007), estaciona o semblante em uma posição de diálogo com a cultura imagético-estético-visual que, tão atual, revalida a persistência do corpo enquanto objeto de inscrições multilaterais, não apenas pelas óticas que se dedicam a teorizá-lo, mas, sobretudo, pelo olhar mesmo do outro. Partindo de Lacan (1988, 1990) com o trompe-l’oeil (tapeação-do-olho), o dompte-regard (doma-olhar) e a televisão, logo se vem pensar acerca da desmaterialização da imagem na cultura conforme Mitchell (2002) e do voyeurismo escópico cotidiano apontado por Žižek (1989, 2004, 2010) como aquele indissociável deste mundo líquido, fílmico e hipervirtual vigente por meio das aparências. O debate almeja indagar até que ponto se situaria uma ordem regulatória sobre os modos de aparentar-se/de parecer ser entre a comodificação dos Fab Five e a interpelação das suas sexualidades para além do visível neste show da realidade.

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