Resumo Trabalho

EDUCAO PARA A CIDADANIA: ENFRENTAMENTOS DOS CONFLITOS SOCIAIS E AO DESAFIADORA DA MULHER NEGRA PELOS DIREITOS DE RECONHECIMENTO NA SOCIEDADE. ENLACE TEMTICO ET02: MULHERES VIOLNCIA E LUTA POR RE

Autor(es): JAQUELINE RODRIGUES DE OLIVEIRA DE ARAJO, EDNALVA RODRIGUES DE OLIVEIRA

RESUMO A presente pesquisa apresenta uma anlise a partir do contexto histrico da situao da mulher negra no perodo escravista, e a emergente organizao dos movimentos de mulheres negras na dcada de 70 exigindo participao ativa na vida poltica, contrapondo-se aos papis que eram subordinadas e s tarefas domsticas. A partir de ento, mudanas polticas vo acontecendo de uma trajetria de luta contra a subordinao, racismo, desigualdade de gnero, mobilizao diante da invisibilidade da mulher como cidad de direitos que no podem ser negados numa sociedade democrtica, como tambm sua insero no mercado de trabalho e o direito de ir e vir nos espaos sociais. Pretende-se indagar que representatividade tem a mulher negra na sociedade? Pois a mulher negra est associada a um passado histrico escravista, que a desqualifica em relao s mulheres brancas que tem tratamentos diferenciados. Mulheres negras tm unido foras coletivamente na luta pelo no contra o racismo e formas de opresso no pas. As organizaes no governamentais (ONGs), frente representatividade poltica das mulheres negras vm visando seus direitos, valorizao entre outros fatores. visvel a atuao do movimento de resistncia das mulheres na luta organizada em seminrios, grupos culturais, artsticos, literrios, partidos polticos, sindicatos, e em organizaes religiosas, engajados por uma poltica antirracista. Partimos do pressuposto que a escola um espao social e diversificado fundamental as questes de gnero como prioridade no currculo, assim como refletir no educar para as diferenas respeitando as diversas identidades que fazem parte do cotidiano escolar. Palavras - chave: Movimentos sociais, mulher negra, gnero, discriminao, educao. (83) 3322.3222 contato@enlacandosexualidades.com.br www.enlacandosexualidades.com.br INTRODUO A presente pesquisa tem como justificativa estudar sobre o contexto histrico da mulher, em especial as mulheres negras com trajetrias e conflitos em busca de reconhecimento. A viso construda em nossa sociedade, em relao, aos africanos escravizados historicamente, que sofreram todos os danos fsicos, psicolgicos e socioeconmicos de forma passiva e submissa. Essa viso trouxe efeitos de uma imagem negativa populao negra que se perpetua at os dias atuais como pessoas que tem o seu lugar reservado em funes secundarias, o negro na ausncia de visibilidade, lembrado na condio de escravo, e desconhecido. importante recontar a histria que lutas e resistncias so marcos histricos que fizeram parte do povo negro no Brasil e que rduo processo por igualdade e acesso aos diversos setores sociais, so lutas constantes do Movimento negro desde o regime escravista aos dias atuais. [...] Afinal, j se passaram mais de quatro sculos. Por isso importante considerar que diante dos limites impostos ao africano escravizados e seus descendentes, os esforos desses sujeitos na luta pela sua libertao representam um sentimento de coragem e indignao diante da escravido, e no de apatia ou passividade. (Munanga, 2016, p. 69) Em sua diversidade o Movimento Negro brasileiro tem mostrado o quanto rdua a experincia dos negros por lutas de reconhecimento, igualdade, cidadania, justia e respeito. Munanga acrescenta que: [...] Essa no uma luta s dos negros, vrios outros setores e grupos tnico-raciais tm se destacado como parceiros histricos do povo negro e vivido processos semelhantes de luta. sempre bom lembrar que a histria do negro brasileiro no algo particular. Ela est inserida na histria do Brasil e na construo da identidade de seu povo. (Munanga, 2016, p.108). A emergente organizao dos movimentos sociais tnicos, raciais, homossexuais, de mulheres entre outros na dcada de 70 consolidam mudanas polticas de uma trajetria de luta contra o racismo, a desigualdade de gnero, classe social e a discriminao. (83) 3322.3222 contato@enlacandosexualidades.com.br www.enlacandosexualidades.com.br A pesquisa tem como objetivo geral contribuir para a melhoria da condio social da mulher negra atravs da representatividade nos espaos sociais, como objetivos especficos esto: a) reconhecer os diferentes sujeitos socioculturais no ambiente escolar, b) desenvolver aes pedaggicas que contribui para o reconhecimento e a valorizao da diversidade cultural, c) promover o empoderamento feminino para a igualdade de gnero. Conceituando gnero vem associado s diferenas sexuais relacionadas entre homens e mulheres, especificamente, s relaes sociais que se constri entre eles, focando na condio da mulher historicamente na condio de trabalhadora do lar, na relao afetiva, sexual e a maternidade, demarcam o espao que a mulher deve ocupar na sociedade. [...] medida que se analisam homens e mulheres como categorias simblicas, identificam se as expectativas e os valores que a cultura concreta associa ao fato de ser homem ou ser mulher, o que nos possibilita entender ideologias dos agentes. Portanto no podemos entender a classe, a raa, a desigualdade sem considerar o gnero. (Oliveira, 2006, p.36). Indagamos por sermos mulheres e negras, que representatividade tem a mulher negra na sociedade brasileira? Pois a mulher negra est associada a um passado humilhante de dominao escravista, rotuladas com esteretipos que a desqualificava em relao s mulheres brancas que tinham tratamentos diferenciados. Um fator crucial que tem gerado impactos na representatividade da mulher a influncia do belo que a mdia as indstrias de cosmticos vem exercendo sobre as mulheres, para insero no mercado de trabalho. Alvarenga (2007) em seu livro relaes de gnero relata que A construo dos padres atuais de beleza feminina tem interferido de modo decisivo para o aumento do nmero de mulheres que acabam vitimas de doenas como a aneroxia. Esse processo de desigualdade est associado ao gnero, s caractersticas fsicas, cor da pele, cabelo, sendo assim, como esto sendo construdas as relaes de trabalho na sociedade, que desrespeitam as trabalhadoras domsticas e as expem a situaes de humilhao e dano, so marcas de excluso social que a mulher negra violentada fsica e psicologicamente em seu cotidiano, e quando ocupa uma posio social: professora, advogada, mdica, engenheira entre outras funes, ainda assim, so estereotipadas e sofrem desigualdades scio econmicas na sociedade comparadas com outras mulheres. Alvarenga vem concordando que, (83) 3322.3222 contato@enlacandosexualidades.com.br www.enlacandosexualidades.com.br Nesse contexto de discriminao etnia / gnero, as mulheres negras so as mais afetadas. Alm de sofrerem a discriminao de cor e de gnero, tambm so discriminadas quanto aos locais de trabalho mais que os homens da mesma cor e as mulheres brancas. [...] merecem destaque os movimento sociais de resistncias das mulheres nos ltimos anos que, se ainda no deram conta de acabar com as diversas formas de violncia e discriminao, tm conseguido desvelar a naturalizao das diferenas e alcanado significativos avanos tanto no campo pessoal como no profissional. [...] (Alvarenga, 2007, p. 40) nesse sentido que julgamos importante, a atuao do movimento de resistncia das mulheres na luta organizada em busca de reconhecimento, dignidade e visibilidade, Oliveira (2006) salienta que o ano de 1988 pode ser considerado o ano da grande mobilizao das mulheres negras brasileiras em vrios Estados, contra a excluso social e busca de igualdade racial para a mulher negra. A autora ainda acrescenta que: [...] O movimento trouxe tambm decisiva contribuies para o processo democrtico brasileiro, com inovaes importantes no campo das polticas pblicas, como a criao dos Conselhos da Condio Feminina rgo voltado para o desenvolvimento de politicas pblicas de promoo e igualdade de gnero e do combate discriminao das mulheres em geral. (Oliveira, 2006. p.34). importante salientar que o Estatuto da Igualdade Racial de 20 de Julho de 2010, uma das conquistas alcanadas pelo movimento negro que determina a garantia populao negra efetivao da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos tnicos e o combate discriminao e s demais formas de intolerncia religiosa. A Constituio Federal d 1988, no artigo 5 assegurado o exerccio dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurana, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justia como valores supremos de uma sociedade fraterna pluralista, sendo o racismo crime inafianvel, a Lei 11.340/ 2006 (Maria da Penha), cumpri um papel relevante para conter a violncia de gnero e assegurar mecanismo de defesa contra qualquer violncia mulher; Art. 2o Toda mulher, independentemente de classe, raa, etnia, orientao sexual, renda, cultura, nvel educacional, idade e religio, goza dos direitos fundamentais inerentes pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violncia, preservar sua sade fsica e mental e seu aperfeioamento moral, intelectual e social. (83) 3322.3222 contato@enlacandosexualidades.com.br www.enlacandosexualidades.com.br Atualmente as redes sociais vm trazendo um panorama espantoso em relao mulher so aes de violncias no mbito pblico ou privado, e muitas temem a represlia do agressor vivendo sobre o julgo sem denuncia-lo, podendo causar danos fsicos, materiais, psicolgicos e consequentemente a morte. A Lei n 13.104 /2015 vem como mecanismo positivo em defesa das mulheres que diz respeito ao crime envolvendo homicdios, violncia domstica e familiar, motivado pelo gnero. Abordar a questo do gnero na educao pensar na formao da criana enquanto sujeito de direito, desconstruir padres sociais, onde menino no pode brincar com brinquedos de menina, determinadas cores s pertence s meninas, os papeis sociais que elevam a figura do menino como superior, em que as meninas representa o papel secundrio nas brincadeiras, as relaes de gnero vo se reproduzindo para o desrespeito as diferenas desde a infncia, o contexto familiar das crianas inmeras vezes vem fortalecendo essa concepo de infncia marcada pelas diversas formas de violncia. Partimos do pressuposto que fundamental um olhar reflexivo sobre as diversas formas de constituir famlias que atualmente eleva um novo conceito na sociedade e rever o papel do professor diante desse novo contexto de famlias e identidades. Conforme (HALL, 2014) a questo da identidade est sendo extensamente discutida na teoria social. Em essncia, o argumento o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, esto em declino, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivduo moderno, at aqui visto como um sujeito unificado. As identidades vo se modificando conforme o contexto social e cultural, pertencente de cada indivduo, a mulher negra tem que se sentir no direito de se representar esteticamente nos espaos sociais. 4) REFERENCIAL TERICO METODOLGICO Realizou - se pesquisas em teses, dissertaes, artigos, livros e Google acadmico. Foram abordadas vrias problemticas sociais em torno do tema pesquisado, dentre eles esto: Movimentos sociais, mulher negra, gnero, discriminao, educao. Mulher negra, trajetria, conflitos e identidade (OLIVEIRA, 2006), Racismo na escola (MUNANGA; GOMES, 2016), Relaes de gneros nos cotidianos escolares, (ALVARENGA; 2007), Identidade cultural da ps modernidade (HALL, 2014). Para o desenvolvimento utilizou-se o mtodo bibliogrfico, com embasamento na pesquisa qualitativa (Gil, 2002). (83) 3322.3222 contato@enlacandosexualidades.com.br www.enlacandosexualidades.com.br CONCLUSO Aceitar a condio da mulher negra como escrava, subordinada ao machismo, vtima de violncia fsica e psicolgica, um contexto histrico de relaes desiguais que envolvem questes sociais que hoje presenciamos na sociedade: feminicdio, racismo, desigualdade social, de gnero, discriminao, preconceito, ausncia dos direitos humanos, de polticas pblicas, de educao tnico-racial entre outras. O movimento de mulheres negras ecoa seu grito na luta organizada em busca de igualdade entre os gneros, da participao ativa da mulher na sociedade e por uma vida com dignidade e reconhecimento. A dcada de 70 marca a luta iniciada por poucas mulheres e segue-se fortalecendo a cada dia mesmo que lentamente, em seminrios, grupos culturais, artsticos, literrios, partidos polticos, sindicatos, e em organizaes religiosas, engajados por uma poltica antirracista, e de igualdade com possibilidades de representatividade da mulher na sociedade. Abordar a questo gnero na educao pensar na formao da criana enquanto sujeito de direito, desconstruindo padres sociais, que vo se reproduzindo nas relaes de gnero, e ressignificar o olhar para as novas identidades, e dar liberdade a mulher negra de se sentir no direito de se representar esteticamente nos espaos sociais. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ALVARENGA, Elda. Relaes de gnero nos cotidianos escolares: a escolarizao na manuteno transformao da opresso sexista. Contagem: Santa Clara, 2007. BRASIL, Constituio da Repblica Federativa do Brasil, 1988. _______, Estatuto da igualdade Racial: Lei n 12.288, de 20 de Julho de 2010. _______, Lei de 11. 340 de 07 de Agosto, 2006. _______, Lei n 13.104 de 09 de Maro, 2015. GIL, Antnio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4 ed. So Paulo: Atlas, 2002. MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O negro no Brasil de hoje. 2. ed. So Paulo: Global, 2016. OLIVEIRA, Eliana de. Mulher negra professora e universitria: trajetria, conflitos e identidade. Braslia: Liber livro Editora, 2006. OLIVEIRA, Zilma Ramos de. O trabalho do professor na Educao Infantil. So Paulo: Bitura, 2012. HALL, Stuart. A identidade cultural na ps-modernidade. Rio de Janeiro: Lamparina, 2014

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