Resumo Trabalho

O CICLO PARADOXAL DE APAGAMENTO E SUPER-SEXUALIZAO DA BISSEXUALIDADE NOS MOVIMENTOS LGBT: RESISTNCIAS EM NARRATIVAS DE ATIVISTAS BISSEXUAIS

Autor(es): ELIZABETH SARA LEWIS

As pessoas bissexuais frequentemente so pouco aceitas nos movimentos LGBT, apesar de serem teoricamente includas pela letra B na sigla. A bissexualidade tratada como s uma fase antes de se assumir heterossexual ou homossexual e as pessoas bissexuais devem lidar com preconceitos de supostamente serem promscuas e desconfiveis. A presente pesquisa, que imbrica Antropologia, Lingustica Aplicada, Lingustica Queer e Anlise das Narrativas, analisa as construes identitrias performativas e discursos de resistncia de ativistas LGBT que se identificam como mulheres bissexuais, focando em suas narrativas sobre o processo de sair do armrio e sobre esteretipos, discriminaes e preconceitos bifbicos que experimentaram na sua militncia no movimento LGBT. Os dados foram gerados em entrevistas individuais com trs mulheres bissexuais que participam de um grupo de ativismo LGBT no Rio de Janeiro, no qual um campo etnogrfico de 22 meses foi realizado entre 2010-2012. Na anlise das narrativas das ativistas, veremos como, para serem aceitas, devem provar que suas performances identitrias bissexuais no so s uma fase (assim reforando a ideia de identidades fixas/estveis), e como devem construir performances de no-promiscuidade (assim reforando a monogamia como norma). Identificamos a existncia de um ciclo vicioso e paradoxal de apagamento e super-sexualizao da bissexualidade: ao insistir que sempre sentiram desejo por homens e mulheres para combater o apagamento da bissexualidade, as ativistas so acusadas de serem promscuas; para combater esse esteretipo super-sexualizante, insistem que so capazes de ser monogmicas; ao insistir que so monogmicas, so classificadas como lsbicas ou heterossexuais, apagando novamente a bissexualidade.

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