Resumo Trabalho

A SAGRADO INVADE O PROFANO: ARTE, SEXUALIDADES E ICONOGRAFIA SACRA NAS ALEGORIAS E FANTASIAS DAS ESCOLAS DE SAMBA DO RIO DE JANEIRO

Autor(es): MARCOS JOS DA SILVA MIRANDA

No Brasil, a linha entre o sagrado e o profano, sobretudo no Carnaval, sempre foi muito tnue. Fomos forjados, como muito bem disse Darcy Ribeiro (2008. p. 140), da confluncia do entrechoque, do caldeamento do invasor portugus com ndios silvcolas e com negros africanos. E continua, somos uma cultura sincrtica, um povo novo que, apesar de fruto da fuso de matrizes diferenciadas, se comporta como uma s gente. As Relaes sincrticas fizeram, e ainda fazem, parte da nossa prpria construo de sociedade, da nossa identidade enquanto pertencentes a um grupo comum, com particularidades que nos distinguem enquanto brasileiros. Herdamos, entre tantas heranas, um conjunto de prticas religiosas que se misturam e que nesta mistura surgem modelos e formatos, redesenhados e ressignificados pela relao muito estreita entre o fiel (homens e mulheres religiosos) e aquilo que se constitui como sagrado. O presente trabalho parte da pesquisa, em curso, de Ps-graduao desenvolvida na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com ela, objetivamos debater as imbricaes entre a arte, o sagrado e as performatividades das sexualidades nas alegorias e fantasias nas escolas de Samba do Rio de Janeiro. Para tanto, recorremos as narrativas produzidas por meio da imprensa e profissionais do Carnaval (carnavalescos, direo de carnaval, escultores, ferreiros, desenhistas, arquitetos, entre outros). Importa notar no contexto do Carnaval carioca, que apesar dos preconceitos religiosos aos ritos pagos ou performatividades sexuais dissidentes, no Sambdromo a f judaico-crist capaz de conviver harmoniosamente com os ritos afro-brasileiros expressos em alegorias e fantasias que auxiliam na construo de performatividades sexuais abjetas normalidade. As danas e sensualidades fazem parte desse grande espetculo onde elementos caractersticos de afirmao de identidade e dignidade humana podem ali ser expressos nos ritmos e sonoridade das baterias.

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