Resumo Trabalho

A LUTA DAS MULHERES DAS OCUPAES DA IZIDORA PELO DIREITO MORADIA: OPRESSES E RESISTNCIAS

Autor(es): THAS LOPES SANTANA ISAAS e orientado por MARIA FERNANDA SALCEDO REPOLS

O presente trabalho foca-se nas ocupaes urbanas da Izidora, onde cerca de 30 mil pessoas sem-teto ocuparam terreno ocioso e formaram as comunidades Rosa Leo, Esperana e Vitria. Esse terreno localiza-se em rea de expanso urbana de Belo Horizonte e de forte especulao imobiliria. Ao contrrio do imaginrio social patriarcal e racista, construdo pela recorrente visibilidade masculina e branca nas lutas das ocupaes, mulheres negras e pobres so a maioria da populao e das lideranas populares na Izidora. Isso est ligado dinmica social de concepo capitalista do espao e de produo, reproduo e cuidado, sustentada na interseccionalidade de gnero, raa e classe, que se desdobra em um sistema violento de segregao espacial, diviso sexual e racial do trabalho e transfere quase exclusivamente para mulheres, com destaque para as pobres e negras, as responsabilidades ligadas esfera domstica e maternidade. Assim, a falta de acesso a direitos bsicos as afeta particularmente, levando-as a ocupar enquanto luta por sobreviver. O conflito da Izidora atravessado por disputas que se passam no sistema de justia, cujas respostas institucionais se do na maioria das vezes no sentido de ordenar remoo forada. Ocorre que o posicionamento hegemnico do Direito, maquiado pelo discurso de aplicao de regras universais e neutras, faz-se como posio poltica classista, patriarcal e racista elevada ao status de norma obrigatria. Resistem contra esse cenrio as moradoras das ocupaes, provocando deslocamentos no s em termos econmicos, no sentido de uma redistribuio de terras, mas tambm de gnero e raa, resultando em novas subjetividades mais empoderadas.

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